Sim! É possível abrir um negócio em família

Como toda boa história de sucesso, um business familiar requer comprometimento e planejamento. Mas convocar os parentes tem seu preço

Como toda boa história de sucesso, um business familiar requer comprometimento e planejamento. Mas convocar os parentes tem seu preço

 

Em algum momento da vida, todo empreendedor – ou quase – já pensou ou convocou um ou mais parentes para trabalharem juntos na empresa. Iniciar um negócio em familiar do zero, porém, é uma decisão que vai além. Demanda uma série de requisitos e uma unidade que a maioria só descobre que iria precisar no meio ou no fim desse caminho.

 

É evidente que um negócio familiar tem os mesmos riscos do que qualquer projeto, contudo, contam ao seu favor uma suposta harmonia imediata e, claro, redução de custos, uma vez que todos se conhecem e, na teoria, remam para o mesmo lado.

 

O primeiro perigo aparece logo de cara: o clima de casa, muitas vezes, mistura-se ao ambiente corporativo. Conversas pessoais se estendem no trabalho e, invariavelmente, os problemas da rotina são levados para a mesa do almoço de domingo. O impacto é imediato e até quem não está na empresa se vê envolvido.

O mesmo vale para o caminho contrário: uma família que passa por turbulência certamente reproduzirá os dificuldades na seara corporativa.

 

Se a empresa vai bem, as relações familiares continuam numa boa. Agora, se a empresa vai mal...

 

Outro fator comum é a ingerência no negócio de maridos, esposas e filhos. A voz dos parentes tem peso e, não raro, costuma falar alto em decisões que competiriam apenas aos envolvidos. Começa-se a abrir espaço para novos caminhos, contratações desnecessárias e até demissões sem uma causa justa.

 

Outro ponto comum é a intensa troca de posicionamento entre as gerações: quando os sócios absorvem profissionais mais novos, a tendência é de ruptura de padrões e é preciso ter uma ligação umbilical forte para não acabar em confusão. Novos entrantes vêm mais preparados intelectualmente, normalmente tendo feito pós-graduação, MBA e cursos no exterior. Em contrapartida, os mais velhos entendem do negócio, estão nisso há 20, 30 40 anos ou mais.

 

Quem tem razão?

 

Uma pesquisa inédita do Sebrae mostra que, no geral, apenas 38% dos empreendedores do País têm parentes envolvidos no negócio. Entre os microempreendedores individuais, este número sobe para 50%. Nas pequenas empresas, o índice bate 71%.

 

Uma dica é, antes de montar um negócio familiar, entender o porquê dessa decisão e analisar os perfis de todos os envolvidos. As atividades serão bem definidas? Os profissionais escolhidos darão conta do recado ou estarão ali apenas para fazer número e cortar gastos?

 

As funções serão descritas no contrato social? Homens e mulheres receberão salários equiparados? Todos terão registro em carteira ou atuarão como Pessoa Jurídica?

 

E os envolvidos? Têm paixão pelo negócio? Haverá reuniões sistemáticas para alinhamento de expectativas ou será gestão top down, onde um manda e todos obedecem?

 

Antes de embarcar, lembre-se da máxima de que o negócio em família é como qualquer outro empreendimento: 5% de inspiração e 95% de transpiração.

 

Foto: https://shutr.bz/2rrWiWt e https://shutr.bz/2sBdetv

 


Categoria(s): Primeiros Passos