Dia do Empreendedorismo Feminino celebra as mulheres no comando

Data foi criada em 2014, em parceria entre a Semana Global do Empreendedorismo, ONU e o Departamento de Estado Americano

Oito milhões de mulheres empreendedoras atuam em todo o território brasileiro. De acordo com o levantamento feito pelo Sebrae no ano passado, o número corresponde a um avanço de 34% nos últimos 14 anos.

Em entrevista ao Portal Sociedade de Negócios, a analista de negócios do Sebrae-SP e gestora do programa Mulheres Empreendedoras da Zona Sul, Camila Ribeiro, diz acreditar que um dos gatilhos para as mulheres abrirem seus próprios negócios é a maternidade: “Há duas questões: o ambiente hostil das empresas que não acolhem essa mulher após ela ter um filho e a flexibilidade de horários e tarefas que elas adquirem liderando o próprio negócio”.

A fotógrafa Simone Novato, 40 anos, é um desses casos. Iniciou a profissão na área de vendas, passou para o ramo publicitário e estruturou sua carreira como pesquisadora do setor editorial em uma empresa de banco de imagens. Grávida, descobriu, no meio da gestação, que o filho teria uma má formação congênita e precisaria de cirurgias.

“Ele nasceu, cumpri minha licença maternidade, minhas férias e fiz um ano de home office para cuidar dele. Mas em uma conversa franca com meu empregador, fui desligada do quadro de funcionários. Na mesma semana, resgatei meu sonho de infância e montei o que é hoje o Fotos de Família”, conta.

Ela, que atua principalmente em São Paulo, se especializou em sessões fotográficas de aniversários infantis, gestantes, famílias em geral e acompanhamento do primeiro ano do bebê. Atualmente, Simone atende cerca de 5 a 10 clientes por mês.

Roberta Suplicy, 44 anos, por outro lado, começou a carreira no empreendedorismo bem cedo. Aos 19 anos, ela abriu um restaurante chamado Filomena com o pai. O lugar, que revelou o chef Alex Atala, foi vendido quatro anos após a abertura.

Depois de trabalhar em algumas agências, ela montou uma assessoria de imprensa e hoje se dedica principalmente à Urban Remedy – marca de sucos, snacks, saladas e sobremesas saudáveis trazida dos Estados Unidos por ela e a sócia Juliana Loureiro.

 

Em São Paulo, já são quatro lojas com a previsão de abertura de mais duas unidades no final do ano. Consolidada no mercado, a Urban Remedy permitiu ainda a entrada das empresárias no Winning Women, da EY, grupo que reúne empreendedoras com um time de conselheiras de alta performance, como Luiza Trajano.

Roberta diz que é uma maneira de trocar experiências: “Nós aprendemos muito com elas. Tiro várias dúvidas de como minha empresa pode crescer, como fazer isso ou aquilo”.

Empreendedorismo feminino x masculino

Segundo Camila Ribeiro, analista de negócios do Sebrae-SP, a diferença entre ambos está na motivação e no comportamento. Para ela, a mulher empreende principalmente com um propósito, buscando sempre algo que traga satisfação pessoal e para o ambiente ao redor.

“Alguns comportamentos tornam as empresas femininas únicas, como a atenção aos detalhes, o olhar mais humano ao lidar com pessoas e situações, a exigência pela qualidade e a capacidade de ser multitarefa.”

“Os homens, na sua grande maioria, empreendem prioritariamente por questões financeiras e sustento familiar. E, por outro lado, os comportamentos que se destacam são a racionalidade, negociação e praticidade nas soluções”, completa a também gestora do programa Mulheres Empreendedoras da Zona Sul.

Desafios e perspectivas para o futuro

Apesar de tantos casos de mulheres empreendedoras de sucesso, ainda há muitos desafios pela frente. Segundo Camila, um deles é o preconceito com elas mesmas: “É comum encontrar algumas mulheres que não se veem capazes de abrir o próprio negócio e que não desenvolvem suas habilidades. Isso é uma questão histórica, decorrente de uma educação castradora a que as mulheres, muitas vezes, foram submetidas”.

No entanto, o movimento tem mudado e a tendência, de acordo com a analista, é que surjam mais políticas públicas estimulando o empreendedorismo feminino e a cultura empreendedora.

A fotógrafa Simone Novato acredita que é preciso dar voz às mulheres, incentivando o trabalho delas e apoiando marcas que acreditem na igualdade de gênero: “Seja falando sobre o assunto ou contratando serviços prestados por essas empreendedoras. Há inúmeros projetos que como o Mapa das Mina – mapa colaborativo que identifica projetos, negócios e serviços de mulheres e o Espiral – que identifica projetos feministas, por exemplo”.

 

A empresária Roberta Suplicy enfatiza igualmente a importância da união e a mudança de pensamento tanto dos homens, quanto das mulheres: “Precisa ter coragem, achar que é capaz. Tarefa de homem e mulher, essa divisão não deveria existir”.


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